
Política é, segundo o dicionário, a arte ciência de governar.
Segundo o filósofo Aristóteles é a ciência que tem por objetivo a felicidade humana.
E o nosso país, a República Federativa do Brasil, na definição da Constituição Federal de 1988 constitui-se em Estado Democrático de Direito.
E o que é o Estado Democrático de Direito? A nossa Constituição explica logo no seu artigo primeiro o que caracteriza esta forma de Estado: a soberania, a cidadania, a dignidade da pessoa humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa e o pluralismo político.
Para concluir, o mesmo artigo (parágrafo único) diz que “Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição”.
Feitas essas considerações, vamos refletir: os nossos representantes políticos tem cumprido a sua obrigação constitucional, respeitando os fundamentos do dito Estado Democrático de Direito?
No Brasil, a prática política é antes de tudo vista como um modo de vida para os candidatos. Deveria ser antes de tudo um sentimento que os impulsionasse a trabalhar pelo desenvolvimento do país, da comunidade a qual se propõe representar e cuidar.
Nós, o povo, do mesmo modo, deveríamos escolher nossos representantes pensando no bem da coletividade e não em benefícios pessoais. Qual o melhor para a minha comunidade, para a minha cidade?
A nossa cultura, infelizmente desprovida de educação política, nos tem mantido na posição de um eterno país das desigualdades. É um ciclo vicioso que gira entre as más ações dos políticos, amparadas pelo apoio dos eleitores. Ou pior, como temos visto em Caxias/MA, más ações políticas que até obrigam as pessoas a se submeterem às mais diversas circunstâncias: desde constrangimentos e humilhações até ameaças.
Quem acompanha o Blog do Everardo Vidigal e toda a mídia local sabe em detalhes a que me refiro.
Pois bem, minha gente, o que queremos, aonde devemos chegar? Aonde vamos parar? Na mesma, o eterno pão e circo?
Sabemos todos do que precisamos para alcançar aquela citada Dignidade da pessoa humana, expressa no artigo 1º da Constituição Federal: emprego, saúde, educação, moradia e tudo o que é essencial.
E o que buscamos, na prática?
Não existem heróis na política. Um só candidato não pode fazer o milagre da transformação. É ingenuidade acreditar nisso.
Nosso país, nosso Estado, nossa cidade se tornarão lugares melhores para viver a partir de pessoas comprometidas com o bem e esse bem deve ter início na vida privada de cada um de nós: nas relações que estabelecemos com os vizinhos, com os familiares, com os amigos, com os iguais que cruzam nosso caminho na rua, no trabalho, aonde quer que a gente ande.
Um país, um Estado, uma cidade sem um povo comprometido com as boas práticas no dia a dia, de respeito ao próximo e preocupação com o coletivo, jamais alcançarão o status de desenvolvido, justo e igualitário.
E o que dizer da nossa princesa do sertão, Caxias/MA? Como na canção “Sina de Caboclo” (1964) de João do Vale: “O que eu colho é dividido/ Com quem não planta nada”.
É uma longa estrada, degrau por degrau. Cabe a cada um de nós abrir mão de escolhas egoístas e plantar a semente da igualdade e justiça social, para que as próximas gerações possam plantar e colher mais dignidade.
Nossa Democracia deve ser fortalecida a partir de cada um de nós, com os nossos hábitos e escolhas diárias. O que você faz pensando na coletividade? Eu estou buscando a minha resposta.
Eu só gostaria de dizer que a minha terra natal não acolhe os seus filhos, mas deveria, porque não se trata de um favor, mas de um direito fundamental, garantido em lei.
Aos candidatos (do presente e do futuro) de Caxias/MA, sugiro que leiam “O Príncipe” de Maquiavel e anotem esta lição: quem adquire o poder com a ajuda dos ricos sofre mais para mantê-lo do que aquele que o adquire com a ajuda do povo. Mas se o político não cuida do seu povo…
Camila Miranda Vidigal.
